Defesa

AUTORIA E ESTILO EM TEXTOS DE SEXTO ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL

  • Resumo

    No presente trabalho propomos uma reflexão acerca de atividades desenvolvidas em sala de aula com produções textuais de alunos de sextos anos do Ensino Fundamental. Entendemos ser importante uma ação pedagógica que possibilite ao aluno ocupar posições historicizadas em relação ao seu próprio dizer, atribuindo sentido e significação ao que diz/escreve. Desse modo, tomando por base o paradigma indiciário (GINZBURG, 1989, 1989) buscamos nas marcas, nos dados reveladores, deixados pelos alunos em suas produções entender como o estilo e a autoria, que acreditamos estarem vinculados, configuram-se nesses textos e a relação existente entre o estilo dos gêneros e o estilo individual nesse processo. Para proceder à análise tomamos como base principal teorias que versam sobre o letramento (KLEIMAN, 1998), autoria e estilo (POSSENTI, 1992,1993, 1994, 2002, ABAURRE, 2006) e gêneros (BAKHTIN, 2006). Valemo-nos também do aparato teórico-metodológico desenvolvido pela ACD (FAIRCLOUGH, 2001), que julgamos trazer importantes colaborações à análise que buscamos desenvolver. Partimos do pressuposto de que, desde que se criassem condições mais propícias e autênticas, proporcionadas especialmente por projetos de letramento, esses alunos poderiam participar mais ativamente na construção de sentidos de seu próprio texto. Desse modo, para procedermos à análise dessas questões, utilizamos um corpus composto de produções de alunos de quatro sextos anos de uma escola da rede pública estadual da cidade de Jaú (SP) todas tendo a mesma professora nas aulas de Língua Portuguesa. Buscamos, nesses textos, entender como as questões de autoria e estilo se concretizam para eles. Pensamos, em princípio, em autoria como função, tomando como base Foucault (1992), e vemos, por isso, a autoria não como uma qualidade, mas como uma prática na configuração de um texto. Ao tratar a questão da autoria enquanto função, retiramos do autor qualquer caráter intrínseco e o situamos na história. Procuramos, então, definir em que condições e como essa autoria se exerce. Observamos, também, o estilo sob o ponto de vista de que as escolhas efetuadas pelos sujeitos constituem marca de trabalho em relação ao seu texto. Ao analisarmos as condições em que esses processos se dão, voltamo-nos aos estudos do letramento, e procuramos mostrar como esses estudos relacionam-se com a questão da autoria e do estilo no contexto escolar, enfocando o trabalho do professor como agente de letramento. Acreditamos, assim, que, entendendo melhor como o aluno se posiciona frente a seu texto, seja possível encontrar meios para propiciar novos e mais produtivos caminhos para o trabalho com textos na escola.