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Histórico PPGL

À época em que foi proposto o mestrado em Linguística na UFSCar, a universidade apresentava um quadro muito positivo no que tange à pós-graduação: contava com 32 cursos (18 de mestrado e 14 de doutorado), pertencentes a três das quatro áreas de conhecimento institucionalmente atendidas: Ciências Biológicas e da Saúde (4 programas), Ciências Exatas e Tecnológicas (10) e Educação e Ciências Humanas (4). Para se ter uma idéia, em 2004 eram 874 alunos matriculados em cursos de mestrado e 802 em cursos de doutorado. Esses dados comprovavam, portanto, que a instituição tinha todas as condições estruturais e acadêmicas para a implantação de mais um curso de pós-graduação.

Aliado a esse cenário, o Departamento de Letras da UFSCar já vinha se preparando para a criação de um Mestrado em Linguística, área considerada promissora com relação à produção de pesquisa e conhecimento, de oportunidades de trabalho e de condições de atuação crítica na formação de profissionais.

Esse interesse do Departamento de Letras era respaldado pela qualificação e pelo envolvimento do seu corpo docente em atividades de pesquisa. Desde que o curso de graduação em Letras fora criado em 1995, os docentes hoje envolvidos no Mestrado obtiveram seus títulos de doutor e iniciaram seu percurso na pesquisa acadêmica. Esse percurso era evidenciado por diversos fatores: a) pela criação de vários grupos de pesquisa no âmbito do Departamento; b) pela atuação do corpo docente em bancas de qualificação, defesa de mestrado/doutorado em outros programas de pós-graduação; c) pela participação dos docentes em grupos de pesquisa sediados em outras instituições; d) pela quantidade e qualidade dos trabalhos de Iniciação Científica realizados no âmbito do Departamento de Letras; e, finalmente, e) pelo ingresso frequente de nossos alunos em outros programas de pós-graduação no estado.

Ao longo dos anos, esse corpo docente havia imprimido características próprias não só ao curso de graduação em Letras, mas também às atividades de pesquisa e extensão realizadas no âmbito do Departamento. Essas características acabaram dando uma identidade ao Curso de Licenciatura em Letras da uFSCar. Evidentemente, essa identidade acabou se refletindo nas linhas de pesquisa propostas para o mestrado. Em nossa proposta, previmos uma área de concentração, denominada Estudos Linguísticos, e três linhas de pesquisa, a saber: Linguagem e Discurso, Ensino e Aprendizagem de Língua e Linguagem Humana e Tecnologia (alterada para "Descrição, análise e processamento de línguas naturais", em 2013).

A primeira linha de pesquisa, Linguagem e Discurso, põe em relevo a preocupação com a maneira como os discursos se constituem e o quanto eles são revestidos de ideologia. Importa mencionar, ainda, a relevância desse tema na formação de uma atuação crítica de profissionais que lidam com linguagens e discursos, fundamentalmente aqueles ligados ao ensino.

No que se refere à linha de pesquisa denominada Ensino e Aprendizagem de Língua, há que se destacar a presença atuante de nossos docentes em ações que têm como causa primeira o ensino. Essa atuação se faz notar não só no ensino da graduação, mas também nos ensinos fundamental e médio. Atividades de ensino, pesquisa e extensão; organização de congressos, simpósios, workshops; e cursos de formação continuada promovidos pelos nossos docentes transcenderam os muros acadêmicos e foram até as escolas publicas dos municípios de São Carlos, Ibaté, Araraquara, Taquaritinga, Bebedouro, Monte Azul Paulista, Pirassununga, Descalvado, Dourado, Porto Ferreira, Brotas, etc. Todas essas atividades tiveram como meta não só a formação dos professores em serviço, mas fundamentalmente a produção de conhecimento em forma de pesquisa.

A linha de pesquisa intitulada Linguagem Humana e Tecnologia pretende criar um espaço institucional para a pesquisa linguística assistida por computador, garantindo e legitimando a interdisciplinaridade tão necessária. um dado relevante que merece destaque é a integração de docentes de distintos departamentos (Letras e Computação) e universidades (uFSCar e uSP) para constituírem essa linha de pesquisa.

Além da relevância de fazer e gerar pesquisas nessa área, houve outra razão que motivou a criação de um curso de Mestrado em Linguística. Essa razão dizia respeito à grande demanda por cursos de pós-graduação stricto sensu nessa área na região sudeste, especialmente no estado de São Paulo. Para se ter uma idéia, na ocasião havia no Estado apenas 7 programas de pós-graduação em Linguística, contra 22 programas de pós-graduação em Letras. Se considerássemos o numero de cursos de graduação em Letras existentes nesse mesmo Estado – 200 cursos –, ficava óbvia a demanda por novas vagas em pós-graduação na área de Linguística. Embora a concentração de programas de pós-graduação fosse grande na região sudeste em relação às demais regiões do Brasil, era preciso considerar que a demanda era igualmente maior.

Foi com este desenho de projeto de mestrado que nosso Programa foi aprovado na CAPES em dezembro de 2004. Em fevereiro de 2005, ocorreu o primeiro processo de seleção com 89 inscritos. Destes, 16 foram aprovados e, em março deste mesmo ano, iniciaram-se as aulas e, em outubro de 2006, houve a primeira defesa de dissertação.